quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sol e vento alteram a equação energética

Por JUSTIN GILLIS - Heligoland, Germany

Poucos países desenvolvidos se empenham mais que a Alemanha para descobrir soluções para o aquecimento global. Atualmente, símbolos altaneiros desse empenho estão surgindo no meio do mar do Norte.
Situadas a 95 quilômetros do continente, turbinas eólicas da altura de edifícios de 60 andares têm preço unitário de US$ 30 milhões (R$ 70,5 milhões).
Até o final do ano, um grande número de novas turbinas enviará energia elétrica de baixa emissão de poluentes para cidades alemãs a centenas de quilômetros de distância, no sul.As turbinas integram a ambiciosa tentativa da Alemanha de refazer seu sistema de energia elétrica, um projeto que vem gerando resultados surpreendentes: em breve, 30% da energia elétrica do país vêm de fontes renováveis.
Muitos países menores superam a marca, mas a Alemanha é a maior potência a atingir esse nível, que é mais que o dobro da porcentagem dos EUA.
A aposta alemã em energia renovável também tem implicações muito além de suas fronteiras. Ao criar uma enorme demanda por turbinas eólicas e painéis solares, o país atraiu fabricantes chineses para o mercado, o que reduz os custos com uma velocidade impensável há poucos anos.
Executivos de companhias de eletricidade em todo o mundo estão vendo tecnologias antes consideradas irrelevantes começarem a ameaçar seus planos de negócios há muito consolidados.
Conflitos estão surgindo nos EUA em relação às futuras regras da energia renovável.
Muitos países pobres, que antes pretendiam construir usinas elétricas a carvão para suprir suas populações, estão analisando se é possível saltar a etapa dos combustíveis fósseis e partir direto para a construção de sistemas energéticos limpos.
Já existe uma avaliação clara das consequências disso na Alemanha: as mudanças devastaram suas companhias públicas de eletricidade, cujos lucros com energia despencaram.
Um padrão semelhante pode ser observado em outros lugares. Alguns estados americanos, impacientes com a morosidade em Washington, estabeleceram suas próprias metas para obter 20% ou 30% de energia renovável até 2020.
O plano de transição energética na Alemanha se chama "energiewende". O país é apontado mundialmente como um exemplo de que é possível transformar o sistema global de energia.
Especialistas dizem que o setor de energia elétrica está entrando em um período de turbulência sem precedentes em 130 anos, um abalo comparável ao sofrido nos últimos anos por companhias aéreas, a indústria fonográfica e a telefonia.
A potencial contrapartida é formidável: um sistema de energia elétrica mais ecológico, com menos poluição. Não se sabe ainda se o sistema pode ser alterado com rapidez suficiente para reverter os perigosos níveis atuais do aquecimento global.
"Tenho certeza de que o vento e o sol serão as principais fontes de energia, não só na Alemanha, mas no mundo inteiro", afirmou Patrick Graichen, que dirige o centro Agora Energiewende. "A questão é como assegurar que essa transição se transforme em uma história de sucesso."
A Alemanha gastou mais de US$ 140 bilhões (R$ 329 bilhões) em seu programa, oferecendo vantagens para os que quisessem instalar painéis solares, turbinas eólicas, usinas de biogás e outras fontes renováveis de energia.
O plano é financiado por meio de sobretaxas nas contas de energia elétrica, as quais geralmente são de cerca de US$ 280 (R$ 658) por ano para uma família alemã típica. Parte disso tem sido compensado com fontes renováveis, que reduziram os preços da energia elétrica no atacado.
O programa gerou imensas economias de escala, com a venda global de painéis solares dobrando a cada 21 meses ao longo da década passada, e os preços tendo queda de cerca de 20% a cada período desses.
"Os alemães não estão comprando energia, e sim quedas de preço", disse Hal Harvey, que dirige um centro de pesquisa sobre energia em San Francisco (EUA).
Essas oscilações fizeram alguns fabricantes de painéis americanos abandonarem o ramo, queixando-se dos subsídios do governo chinês para seus fabricantes, que se apoderaram de grandes fatias do mercado.
Todavia, o declínio também abriu uma oportunidade para proprietários de residências e empresas americanas como a Lennar, a segunda maior construtora residencial do país. Em cem loteamentos na Califórnia, quem compra uma casa nova ganha painéis solares no telhado.
A Lennar continua sendo proprietária dos painéis e faz contratos de 20 anos para vender aos donos das casas a energia gerada em seus telhados, dando um desconto de 20% em relação aos preços da companhia de eletricidade.
"A ideia é muito simples. Basta dizer ao cliente que, com isso, ele fará uma grande economia", disse David J. Kaiserman, da Lennar.
Após quedas drásticas nos últimos anos, o preço da energia agora é competitivo em relação ao custo de usinas elétricas a carvão em algumas regiões dos EUA.
A queda no custo da energia renovável é um problema em potencial para empresas elétricas. Elas lucram muito nas horas do dia com maior demanda de energia, impondo preços altos. A energia solar pode ser particularmente prejudicial para essas empresas, pois reduz os preços no atacado durante os períodos de pico.
Embora esteja se expandindo rapidamente, a energia solar ainda equivale a menos de 1% da energia gerada nos EUA.
Algumas companhias públicas de eletricidade começaram a atacar as diretrizes que estimulam os painéis, ao passo que outras entram no mercado de energia solar.
Empresas novatas com rápido crescimento oferecem aluguel de painéis solares para proprietários de residências, com financimaneto bancário. O epicentro desse movimento é a Califórnia, cuja meta é contar com 33% de energia renovável até 2020.
Na Alemanha, onde os painéis solares suprem 7% do consumo de energia e as turbinas eólicas, cerca de 10%, os preços da energia no atacado despencaram nas horas mais rentáveis do dia.
"Demoramos para entrar no mercado de energias renováveis e agora talvez seja tarde demais", disse nesta primavera Peter Terium, diretor-executivo da megacompanhia pública RWE, quando anunciou um prejuízo anual de US$ 3,8 bilhões (R$ 8,9 bilhões).
As grandes empresas de eletricidade alemãs têm sido obrigadas a modular rapidamente a produção em suas usinas elétricas convencionais para compensar a energia renovável intermitente.
Como as usinas não são necessariamente lucrativas quando operadas dessa maneira, essas companhias ameaçam fechar algumas unidades que, segundo analistas, são necessárias como reserva emergencial para o país.
Outro componente que complica a situação é a determinação do governo a acabar com as usinas nucleares alemãs em dez anos.
À medida que o plano progride e elimina uma fonte de energia com baixa emissão de poluentes, a redução dos gases de efeito estufa na Alemanha chegou a um impasse.
Os problemas cresceram com tamanha rapidez que o governo tenta desacelerar a transição, o que não é bem aceita pela opinião pública.
Há poucos dias, enquanto participava de uma passeata com milhares de manifestantes em uma rua de Berlim, Reinhard Christiansen, diretor de uma pequena empresa especializada em energia renovável na cidade de Ellhöft, disse: "Nosso temor é que o governo esteja tentando frear a transição energética".
Especialistas dizem que as novas regras do mercado poderiam manter os custos em um patamar razoável. Algumas inovações recomendadas por eles já foram adotadas em parte.
Desenvolvidas nos EUA e sob estudo na Alemanha, elas incluem pagamentos regulares para persuadir companhias públicas de eletricidade a manter de reserva algumas usinas que usam combustíveis fósseis.
Porém, é provável que as maiores inovações se concentrem nos hábitos de consumo de energia.
A Apple e o Google, por exemplo, investem bilhões em negócios que aproveitem as novas oportunidades. Isso inclui ajudar proprietários de casas a administrar seu consumo de energia.
Os preços da energia elétrica, em vez de calculados por mês, poderiam variar em tempo real. Altas nos preços estimulariam a economizar. Inversamente, chips instalados em aparelhos como aquecedores de água poderiam ligá-los quando houvesse abundância de energia e preços baixos.
Para os alemães, a imprevisibilidade da energia renovável em terra firme explica o interesse pelo vento em alto-mar. As brisas constantes no mar do Norte e no mar Báltico garantem que as turbinas por lá produzam bem mais energia do que turbinas em terra.
É por isso que três companhias de eletricidade virtualmente passaram a controlar a ilha de Heligoland. Ela se tornou a base de operações para as fazendas eólicas enormes que estão instalando.
Por ora, as fazendas oneram em bilhões os custos para consumidores que já arcam com painéis solares, turbinas eólicas no continente, usinas de biogás e na transição para energia renovável.
Pesquisas, porém, indicam que os alemães estão dispostos a carregar esse fardo. "A Alemanha é um país rico", disse Markus Steigenberger, analista do Agora. "É uma dádiva para o mundo."NYT, 23.09.2014.
Colaboraram Eric Olsen, de Berlim, Matthew L. Wald, de Nova York, e Chris Cottrell de Heligoland, na Alemanha
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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Exxon aposta alto em diesel na Europa Empresa espera lucrar com tendência do mercado

Por STANLEY REED

LONDRES - Na oficina mecânica de Dimitris Poliviou, no bairro londrino de Belsize Park, os clientes estão optando cada vez mais por veículos movidos a diesel. "Há quantidades crescentes deles", disse Poliviou.
As estatísticas confirmam sua opinião. Nos últimos 25 anos, os motoristas europeus passaram a preferir carros a diesel, tentando economizar dinheiro em uma região onde os combustíveis custam caro. Mais da metade dos novos carros registrados na Europa Ocidental no ano passado eram movidos a diesel, sendo que, em 1990, a cada dez carros vendidos apenas um tinha essa característica. Agora, a Exxon Mobil, maior empresa petrolífera dos Estados Unidos, está tentando aproveitar o boom do diesel para reanimar suas refinarias em dificuldades na Europa.
Como o refino de petróleo passou a dar prejuízo para a maioria de seus concorrentes europeus, a Exxon Mobil pretende investir mais de US$ 1 bilhão (R$ 2,27 bi) para aumentar a produção de diesel em sua grande refinaria em Antuérpia, Bélgica.
Steve Hart, diretor de refino da Exxon Mobil para a Europa, disse no mês passado que a empresa estava cogitando investir em diesel em outros locais na Europa, onde ela tem nove refinarias e ocupa o segundo lugar no ranking da indústria, atrás da gigante francesa Total. Segundo Hart, por meio de sua rede de refinarias no noroeste da Europa, a Exxon Mobil recolherá combustíveis pesados que não têm mais muita demanda -como o carvão consumido por caldeiras de navios mais antigos- e os levará de navio para Antuérpia. Uma nova unidade de refino nessa cidade irá destilar as substâncias viscosas, transformando-as em diesel e em um combustível mais leve semelhante ao utilizado por navios mais modernos. A empresa então venderá o diesel no noroeste da Europa, que atualmente o importa dos EUA, do Oriente Médio e da Rússia.
A Exxon Mobil está seguindo uma tendência que inicialmente foi estimulada pela taxação mais baixa sobre carros a diesel.
Montadoras da Alemanha e da França desenvolveram versões a diesel do Volkswagen Golf, do Audi A4, do Renault Clio e do Peugeot 308, as quais abocanharam dois terços do mercado de carros novos na França, na Espanha e na Bélgica, e metade desse mercado no Reino Unido e na Alemanha.
"As pessoas preferem a potência do diesel, que parece tornar os carros muito mais velozes", comentou Luke Madden, editor dos sites Auto Express e Carbuyer, baseados em Londres. Madden disse que os carros a diesel têm melhor eficiência de combustível do que os movidos a gasolina.
Mudanças no consumo de combustível deixaram as refinarias europeias com uma combinação de produtos excessivamente ligados à gasolina.
Muitas, porém, não podem fazer os investimentos necessários para se adaptar ao novo ambiente de negócios.
Robert Campbell, da empresa de pesquisas de mercado Energy Aspects, calcula que as refinarias menores estejam perdendo de US$ 4 a US$ 6 por barril de petróleo que processam, ao passo que as maiores podem estar lucrando de US$ 1 a US$ 2 por barril. Segundo ele, as refinarias acham que "a demanda por petróleo na Europa está diminuindo, então não há motivo para investir em refinarias".
Alguns analistas questionam se a nova jogada da Exxon Mobil é sensata, uma vez que a indústria petrolífera ainda lida com uma capacidade excedente considerável. Oswald Clint, da Bernstein Research em Londres, disse que a Exxon Mobil poderia aumentar os lucros com mais rapidez se fechasse as unidades que estão deficitárias na Europa.
Outros discordam.
"As refinarias europeias têm de investir em um ambiente difícil para sobreviver em longo prazo", disse Paul Hodges, da firma de consultoria International eChem, em Londres.
"Custaria muito mais caro fingir que o mercado global voltará a ser como há 25 anos."
NYT, 12.08.2014.
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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Recursos nem tão naturais

MARCELO MITERHOF

Livro defende que é melhor incentivar a indústria nacional a inovar em áreas como agricultura e petróleo

A busca do desenvolvimento econômico com base em recursos naturais tem se mostrado uma estratégia limitada quando se compara a América Latina com as industrializações mais bem-sucedidas da Ásia.
Há algumas explicações possíveis e não necessariamente excludentes de por que a abundância de terras férteis, petróleo ou minerais pode se mostrar disfuncional: uma tendência à apreciação cambial, que prejudica a competitividade da indústria de transformação, e o estabelecimento de uma cultura imediatista, que dificulta o adensamento tecnológico e de conhecimento nos processos produtivos.
Nesse sentido, um interessante contraponto é dado pelo livro "Recursos Naturais e Desenvolvimento", escrito pelos economistas João Furtado e Eduardo Urias e recentemente editado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Um ponto inicial é que os recursos naturais não são um simples presente da natureza, mas uma criação humana. É o progresso técnico que tanto dá utilidade ao que existe no planeta como os torna disponíveis, desenvolvendo formas de encontrá-los e extraí-los em condições que crescentemente são mais difíceis.
Evidência disso é que o EUA, país tido por Benjamin Franklin no fim do século 18 como pobre em recursos naturais, se tornou o maior produtor mundial de minério no século seguinte. A intensa exploração de seus recursos naturais no século 19 fez suas reservas crescerem substancialmente. De forma semelhante, no Brasil, o uso de pesquisas e tecnologias ajudou a criar no cerrado uma agricultura pujante.
Uma estrutura produtiva baseada em recursos naturais não precisa ser meramente rentista, calcada apenas numa eventual facilidade de sua obtenção. Há esforços de inovação e de encadeamento industriais, casos dos bens de capital e implementos agrícolas, que podem alavancar o desenvolvimento.
Ainda assim, ao longo do último século os preços dos bens intensivos em recursos naturais caíram significativamente em relação aos dos bens industrializados. Estabilizado o ritmo de urbanização na Europa e nos EUA, o crescimento nos países ricos foi ao longo do século 20 marcado por diversificação da oferta de bens e serviços, que são cada vez mais imateriais. Um carro ou um eletrodoméstico tem conteúdo de aço e plástico, porém mais valiosos são as tecnologias que carregam.
Entretanto, tal panorama mudou com a emergência da China e seus vizinhos, cujo crescimento é acompanhado de uma urbanização de escala sem precedentes.
Com isso, a China, que, por exemplo, no ano 2000 importava 70 milhões de toneladas de minério de ferro, equivalentes a 14% do comércio internacional, em 2008 deu um salto para 444 milhões, quase metade das compras externas globais. Na soja, suas compras passaram de 10 milhões de toneladas para quase 60 milhões de 2000 a 2012, saindo sua fatia no mercado de menos de um quinto para quase dois terços.
Como a urbanização asiática ainda está longe de acabar, é provável que os impulsos nos preços dos recursos naturais sejam duradouros.
É verdade que um avanço de tal proporção na taxa global de urbanização traz pressões políticas, econômicas e ambientais para melhorar a eficiência de seu uso. Porém isso é mais uma alavanca que um impedimento para o desenvolvimento de inovações e de uma estrutura produtiva baseada em recursos naturais.
A conclusão do livro é que esse é um caminho melhor que tentar enfrentar a competição dos países ricos e dos emergentes asiáticos em setores altamente dinâmicos, como microeletrônica ou química fina, ou nos intensivos em trabalho. Seria mais efetivo impulsionar a diversificada indústria brasileira para inovar e incorporar conhecimento na provisão de serviços, insumos e bens de capital para as atividades voltadas para agricultura, mineração, energias renováveis e petróleo etc.
Canadá e Austrália são exemplos de países ricos que desenvolveram dinâmicos setores em recursos naturais, incluindo uma forte base industrial exportadora.
Mas esses são países de populações reduzidas. Um país populoso como o Brasil não deveria abrir mão de ter uma estrutura industrial diversificada (e competitiva).
Ainda assim, e dando os devidos descontos por ser uma publicação setorial, o texto é proveitoso por mostrar que foco e pragmatismo --além de paciência, vale acrescentar-- são cruciais na criação de uma base empresarial inovadora. Folha, 17.07.14.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Usinas concorrentes tentam eliminar incentivo de eólicas: Câmara de comercialização e agência nacional de energia consideram que fonte já é competitiva

No Congresso, entidade de pequenas hidrelétricas trabalhou por fim de desconto para geração por vento
MACHADO DA COSTADE SÃO PAULO
Geradores de energia a partir de outras fontes renováveis estão pressionando o Congresso Nacional e outros órgãos federais para retirar incentivos à energia eólica, já que esta se tornou mais competitiva que a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas.
O que adeptos das eólicas têm chamado de "lobby" convenceu o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) a incluir uma emenda à medida provisória 641 com o objetivo de retirar o desconto de 50% das tarifas de uso de sistemas de transmissão e distribuição.
No entanto, é na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) que cresce com mais força o entendimento de que as eólicas não precisam mais dos incentivos.
PRÓPRIAS PERNAS
Em relação aos dois órgãos, a Folha apurou que a visão é que a geração de energia elétrica a partir dos ventos se tornou tão competitiva que, mesmo sem incentivos, continuaria mais atrativa.
"Falta, na verdade, coragem para retirar o incentivo. Isso poderia representar um desgaste com o setor", disse uma pessoa ligada à CCEE.
A tentativa de mudança no Congresso aconteceu por iniciativa da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas (AbraPCH). No início de julho, segundo apurou a Folha, a entidade convenceu o senador Vital do Rêgo a alterar emenda do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).
A proposta de Jardim era estender à geração por biomassa os benefícios dados à geração eólica. Mas, depois da reunião, a proposta se transformou na retirada de todos os incentivos às eólicas.
PRESSÃO
Segundo Jardim, Rêgo fez o adendo à sua proposta sem consultá-lo. "Há um grupo de dissidentes que está pressionando o Congresso para retirar os incentivos à eólica. O que eu pedi foi apenas a extensão do benefício à biomassa, que está sem competitividade", afirmou Jardim.
A assessoria de Rêgo diz que o texto foi mudado após reunião com representantes do setor no Congresso, o que incluiria o deputado.
Um membro da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) diz que o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), precisou intervir para fazer Rêgo desistir da emenda contra o segmento.
Procurada, a presidente da Abeeólica, Élbia Melo, diz que não acredita que tal proposta passasse no plenário.
O presidente da AbraPCH, Ivo Pugnaloni, afirmou que se reuniu com os assessores legislativos de Rêgo, mas negou que tenha trabalhado contra os incentivos para a geração eólica.
"A medida, que hoje é contra as eólicas, amanhã pode ser contra nós", disse. Folha, 03.07.2014.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Belo Monte: O preço do atraso

Concessionária da usina de Belo Monte pede adiamento da geração de energia, no que repete a praxe do setor de estourar prazos e custos
Não chega a ser surpresa que vá atrasar a geração de energia pela usina de Belo Monte. Já em dezembro, segundo reportagem que esta Folha publicou sobre o maior empreendimento hidrelétrico do país (folha.com/belomonte), sabia-se que a operação da primeira turbina ultrapassaria em alguns meses o prazo previsto, fevereiro de 2015.
O atraso, porém, afigura-se bem mais sério. Em correspondência enviada à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a concessionária Norte Energia S.A. propõe novo cronograma que adia todo o projeto em pelo menos um ano.
A empresa culpa os suspeitos de sempre: licenciamento ambiental, greves e bloqueios dos canteiros por grupos contrários à hidrelétrica. Tudo isso é parte da verdade, mas não é a verdade toda.
Atrasos em obras de infraestrutura são a regra. Licitações bilionárias se realizam com base em projetos básicos e informações inadequadas. Relatório da CNI (Confederação Nacional da Indústria) passou pente-fino em seis empreendimentos recentes e concluiu que as demoras acarretaram custos adicionais da ordem de R$ 28 bilhões.
Os prazos considerados são em geral irreais, a começar pelo burocrático licenciamento ambiental, também lastreado em dados incompletos. Como o aprofundamento dos estudos de impacto e as providências de remediação só começam após a concessão, a obra física ganha prioridade sobre as compensações socioambientais e dão margem ao sem-número de revisões, ações e liminares judiciais.
Há, além disso, deficiências graves no planejamento da construção de hidrelétricas, e não só no Brasil.
Um estudo da Universidade de Oxford (Reino Unido) publicado neste mês no periódico "Energy Policy" examinou 245 barragens erguidas de 1934 a 2007, ao custo de US$ 353 bilhões (preços de 2010).
Constatou que 75% dos projetos enfrentaram aumentos de custos, em média de 96%. O viés de subestimação de prazos e preços não melhorou no período e está presente nos cinco continentes.
A Norte Energia pede à Aneel isenção de responsabilidade pelo atraso, que resultaria de atos do poder público ou de casos fortuitos e de força maior. Ou seja, a concessionária almeja livrar-se do ônus financeiro representado pela energia prevista em contrato que deixará de ser entregue.
"Atrasos têm consequências funestas", ensinou Shakespeare no drama histórico "Henrique 6º". Funestas e dispendiosas, seria o caso de acrescentar. Compete à Aneel e à Norte Energia encontrar maneiras de reduzir ao máximo as perdas, que em última análise recairão sobre o consumidor e o contribuinte brasileiro.

http://arte.folha.uol.com.br/especiais/2013/12/16/belo-monte/index.html
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terça-feira, 20 de maio de 2014

Fusões e aquisições recuam entre empresas de mineração

Enquanto as áreas de energia e óleo e gás registraram altas no total de fusões e aquisições no início deste ano, o segmento de mineração observou recuo no número de operações, segundo a KPMG.
De janeiro a março, só uma transação envolvendo mineradoras foi feita no país --é o pior resultado de um primeiro trimestre em cinco anos.
A indefinição sobre o novo Código de Mineração, cuja votação permanece emperrada no Congresso, é uma das principais razões para o esfriamento, diz Paulo Guilherme Coimbra, sócio da KPMG.
"Quando não há um marco regulatório bem definido, há uma dificuldade de as empresas entenderem o que vai acontecer", afirma. "Isso acaba afastando o interesse de investidores, principalmente em novos projetos."
Outra causa é o atual momento do setor, que passa por um período de preços mais baixos, em razão do crescimento menor da economia chinesa, maior compradora do minério de ferro do Brasil.
A área de energia, por sua vez, registrou 13 fusões e aquisições no primeiro trimestre deste ano, um avanço de 160% em relação ao mesmo período de 2013.
O mercado está aquecido por causa da demanda por energia puxada pela falta de chuvas e pelo atraso na entrada de novos projetos de geração, segundo Coimbra.
"O preço da energia está lá em cima e isso favorece o número de fusões entre as companhias", afirma.
As transações envolvendo empresas do segmento de óleo e gás também avançaram nos primeiros três meses --foram nove (alta de 125%).
Os negócios ocorreram sobretudo na compra e venda de participação em direitos de concessão de blocos petrolíferos no país. Folha, 20.05.14

terça-feira, 15 de abril de 2014

Chineses compram a mina de cobre Las Bambas no Peru

Um consórcio chinês comprou da Glencore a mina de cobre Las Bambas, no Peru, por US$ 6 bilhões. A empresa precisava vender o ativo para ter aprovada a sua fusão com a mineradora Xstrata. A aquisição da mina foi a maior já realizada no setor por um grupo da China, líder no consumo do metal. Folha, 15.04.2014
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